No dia 03/03/1984, três jovens que se destacavam na comunidade paroquial pelo seu envolvimento e engajamento na Igreja se reuniram juntamente com o então pároco, Pe. Sidney Grudzien, para, juntos, fundarem um Grupo de Jovens na Paróquia Santa Rita. Incentivados por Pe. Sidney, eles saíram às ruas de Santa Rita, então 2º Distrito de Canoas, para convidar outros jovens para, juntos, vivenciarem o Evangelho de Jesus Cristo. Os jovens eram Ana Cláudia Sivinsky Pedreira, José Antônio Oliveira de Vargas e Adriane de Oliveira, pessoas que, sem temer, levaram a missão adiante e, com fé e amor, conseguiram cumprí-la.
Ao grupo recém-formado foi dado, por sugestão da jovem Júlia Oliveira, o nome de MAC (Movimento Auxiliador Cristão). O nome permaneceu até 1989, quando foi mudado para JOBUPA (Jovens em Busca da Paz).
Em 1985, Pe. Renato Krause assumiu a paróquia e sugestionou aos jovens que fizessem um curso de aprofundamento chamado CLJ (Curso de Liderança Juvenil). Eles aceitaram e, no decorrer do ano, foram assistidos por jovens do CLJ de Canoas. Nos dias 30, 31/05 e 01/06 de 1986, os três jovens fundadores realizaram o 7º CLJ1 da então Área Canoas. Este curso foi um marco para a juventude católica do então 2º Distrito, pois, a partir daí, o Grupo de Jovens da Paróquia Santa Rita passou a integrar um movimento arquidiocesano pertencente ao Setor Juventude.
Em 26 anos de história, o CLJ Santa Rita conta com a participação de mais de 45 jovens atuantes que, com fé, buscam assumir e viver a sua missão: semear o amor de Deus, evangelizar, ser jovem apóstolo de jovens.
...É preciso que o mundo seja um pouco melhor, porque nele eu vivi e por ele tu passastes, meu irmão...
________________________________________________________________________________________________________________________________
Jornalista responsável:
Raul Fernandes Viegas
Diretor Espiritual Paroquial: Pe. Reinoldo José Jantsch
Coordenadora do Grupo: Dariane Veeck Barella - 42º CLJ
Coordenador-Base: Alexsandro Bourscheid - 44º CLJ
Secretários: Franciele Scherer - 45ºCLJ
Tesouraria: Raul Fernandes Viegas - 39º CLJ
Tios: Hugo e Fátima, Toco e Rita
Coordenção de Pós-CLJ: Henrique de Vasconcelos - 44º CLJ
Base: Bibiana Regla - 44º CLJ
Coordenação de Pré-CLJ: Pâmela Medeiros - 45º CLJ
Base: Tassiane Veeck Barella - 48º CLJ
Liturgia: Thais Amorim - 48º CLJ
Base: Leonardo Amorim Chagas - 48º CLJ
Bem-estar: Alice Bennermann - 48º CLJ
Base: Jorge Kayzer - 50º CLJ
Cultural: Luis Claudio da Silva Martins Junior - 48º CLJ
Base: Gabriel Pietrosk Castro - 50º CLJ
Folclore: Matheus de Nicol Vizentini - 48º CLJ
Base: Valnei da Silva Santos Junior - 50º CLJ
Para responder a esta pergunta, confira o texto abaixo, de autoria do fundador do CLJ, bispo Dom Zeno Hastenteufel:
No início da década de sessenta, em Porto Alegre havia uma grande pastoral da juventude. Era o período áureo da Ação Católica. É preciso recordar que a Ação Católica fora fundada na Europa, ainda antes da última guerra, em cima do método "ver, julgar e agir". Esta Ação Católica contemplava todos os segmentos da juventude.
Assim, existia a JAC (Juventude Agrária Católica), a JEC (Juventude Estudantil Católica, a JOC (Juventude Operária Católica) e a JUC (Juventude Universitária Católica). Ficando nas cidades um pouco maiores, a JEC realmente movimentava muito a juventude estudantil. Por volta de 1962 e 1963, fazíamos concentrações de 15 a 20 mil jovens com caminhadas e dias de encontro. Praticamente todos os colégios católicos tinham seus grande núcleos de JEC. Até mesmo nos colégios públicos, como no Julinho, Protásio Alves, Parobé e Inácio Montanha, a JEC era expressiva e havia grupos de JEC em cada turno e coordenação própria para cada escola.
Veio a Revolução de 1964 e muitos líderes da Ação Católica se manifestaram contra os ideais daquele movimento revolucionário e foram enquadrados nos assim chamados "subversivos", isto é, "perigosos" para o momento político que então se vivia. Grandes líderes, jovens e padres, começaram a ser perseguidos, aprisionados e, segundo denúncias, foram até torturados. É claro que todos os grupos de JEC, JOC e JUC começaram a se posicionar contra a Revolução. Com isto, a perseguição se tornou sempre mais forte e a espiritualidade foi diminuindo. Os antigos retiros foram substituidos por dias de encontro, debate político, estudo da realidade brasileira, contestação ao Movimento Revolucionário.
Por volta de 1968, com a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), a Ação Católica foi colocada na parede. Naqueles moldes, não poderia continuar. Seria necessário transformar o espírito e voltar aos ideais originários. No Brasil, isto era impossível. Em outros países, como na Itália, na Espanha, na Argentina, foi feita esta transformação e a Ação Católica sobreviveu. No Brasil, os próprios bispos acabaram por desestimular uma Ação Católica que tinha se voltado para o plano político e estava numa atitude de ostensiva contestação. Os grupos JEC e JUC foram acabando, lamentavelmente. Tinham formado grandes lideranças e preparado bons católicos. Criou-se um momento triste para a Igreja: os jovens, simplesmente, sumiram das igrejas.
Na Igreja São Pedro (em Porto Alegre), tínhamos um grupo de 60 crismandos. Era uma esperança para a Igreja. Preparamos bem os encontros de Crisma. Os jovens estudavam as matérias, sabiam os textos, mas não havia forma de levá-los de volta à vivência cristã. Conheciam bem os conteúdos, mas não eram capazes de transformá-los em vivência.
Em maio daquele ano de 1974, junto com a Irmã Jocélia (Jocélia Scherer) e com algumas jovens do Emaús, começamos a preparar um "retiro de crismandos". Colocamos algumas técnicas do Emaús, com músicas próprias, com monitores de grupo e a participação de um casal. Nos dias 14 e 15 de julho daquele ano de 1974, com 19 jovens, 8 monitores, a Irmã Jocélia e um casal, nos dirigimos à Medianeira (casa de retiros) para o "Retiro dos Crismandos". Tínhamos alguns esquemas em uma pasta improvisada, um coordenador jovem, com vários bilhetes, mas sem um roteiro fixo e nem mesmo um horário claramente estabelecido.
Tínhamos um objetivo claro: apresentar um Cristo capaz de fascinar os jovens e atraí-los para o seu caminho. Tudo correu normalmente. Mas os jovens queriam fazer novos retiros com esta mesma metodologia. Fizemos um trabalho em comunidades com a pergunta: "Como você chamaria este Retiro?". Entre muitas sugestões, apareceu uma: CLJ - Curso de Liderança Juvenil. Posto no quadro, junto com outras sugestões, foi feita a votação. Não deu outra. Os jovens queriam logo fazer uma segundo "retiro" destes, para os colegas da Crisma que não tinham apostado no primeiro. Mas, foi então colocado, com muita clareza, que o segundo CLJ só seria feito em novembro se, até lá, todo o grupo perseverasse, Foi uma beleza, todos os sábados estavam lá os 19, mais monitores, vindos do Emaús, o casal Raabe e Leda, mais a Irmã Jocélia.
Com muito empenho, foi preparado o segundo CLJ para os dias 13, 14 e 15 de novembro de 1974. Já começaria na sexta-feira de noite. Já teríamos um livrinho de cantos, mais um casal, João e Célide Salvador, e iria um grupo maior. Após várias e demoradas reuniões, veio a data esperada. Quando encostou o ônibus, lá nos fundos da Igreja São Pedro, parecia o início de uma revolução. Gente de todos os lados. Lá estavam os 55 jovens inscritos, com seus pais, familiares e um número incalculável de curiosos. Todos queriam ver o que estava acontecendo. Foi um curso fora-de-série. No domingo à noite, "chegada" na São Pedro. Foi feito no salão paroquial. Estava lotado. Todos os familiares daqueles 55 jovens, os colegas do primeiro e muitos curiosos... E a continuidade foi melhor ainda. Muitos jovens já estavam de férias e começavam a vir às missas todos os dias. No domingo seguinte, nosso grupo já estava assumindo a missa das 11 horas. Tornou-se, em pouco tempo, a missa mais cheia. Os alunos do colégio São Pedro e Santa Clara começaram a se interessar. Vieram aquelas férias e o grupo continuou perseverando. Com reuniões em Tramandaí, Capão e Atlântida. Não se perdeu ninguém. Todos voltaram em março, com mais entusiasmo ainda. Todos esperando o terceiro CLJ, logo marcado para abril. A fama se espalhou pela cidade.
O Pe. Severino Brum, da Cidade Baixa, que há anos estava tentando uma pastoral para os jovens, com iniciativas espetaculares (basta lembrar a famosa missa "Iê-iê-iê"... muito destacada pela imprensa), ficou sabendo e queria participar do terceiro CLJ. Queria apenas observar e levar uns 20 jovens e um casal de tios. Fizemos várias reuniões. Seria precisa falar com os bispos.
Pe. Severino falou com Dom Antônio e eu fui falar com o Cardeal, Dom Vicente Scherer. O nosso querido cardeal ficou um pouco assustado. Já tinha ouvido falar nos "abraços e beijos", coisa nova na Igreja de Porto Alegre. Mas, no final, ele me disse: "Pe. Zeno, continue com a minha bênção. Se este movimento vem de Deus, vai progredir e dele surgirão vocações para o sacerdócio e a vida religiosa; se não vem de Deus, em pouco tempo vamos acabar com isso antes que seja tarde". Após uma reunião com Dom Antônio, participando ainda o Pe. Severino, o casal José Carlos e Eunice Monteiro, Irmã Jocélia e três ou quatro jovens, o CLJ foi reconhecido como "Movimento Arquidiocesano", abert para as paróquias que o quisessem implantar. O CLJ seria agora um movimento Diocesano. Era hora de organizar tudo, organizar o esquema geral do curso. Assim, o CLJ foi se firmando como "momento", enquanto curso de apenas três dias, e "movimento", enquanto grupo fixo e estável que vai trabalhando como pastoral de jovens, onde sempre estava muito presente a grande frase de Paulo VI: "É preciso que o jovem seja apóstolo de jovens". Em pouco tempo, o CLJ foi se espalhando pelas paróquias de Porto Alegre, depois para as dioceses do interior e hoje está espalhado por grande parte do Rio Grande do Sul e já recebendo pedidods para implantar em outros Estados.
Atualmente, o CLJ está implantado em sete dioceses: Porto Alegre, Novo Hamburgo, Osório, Passo Fundo, Frederico Westphalen, Vacaria e Bagé. São mais de 200 paróquias onde funcionam grupos animados de jovens com a participação de casais adultos e com uma vivência cristã voltada para a evangelização da juventude. Já foram realizados mais de 500 cursos e, seguramente, mais de 20 mil jovens já foram atingidos. Em nossas dioceses, já temos vários sacerdotes provenientes das fileiras do CLJ e, nos seminários, temos, ainda, grandes esperanças de vocações nascidas em nosso meio. Em cada diocese, o CLJ tem as suas características peculiares, de acordo com a realidade local. Mas, no essencial, o CLJ é o mesmo em todos os recantos deste Rio Grande, até mesmo nas dificuldades de adaptação à Pastoral da Juventude e às canções litúrgics que as comunidades cantam. No entanto, o que foi assumido há mais de vinte anos como Hino do CLJ se concretiza em toda a parte: "Unidos estamos aqui, unidos queremos ficar... É bela a vida que se dá... é preciso que o mundo seja um pouco melhor, porque nele eu vivi e por ele tu passaste, meu irmão". O certp é que o CLJ até hoje só nos deu alegrias e está implantado como uma grande esperança para a Igreja. É claro que há padrs e bispos mais empolgados e outros menos empolgados com o CLJ, mas uma coisa é certa: "Nas paróquias onde há o CLJ, lá atuam jovens e mais jovens".
© 2010 Todos os direitos reservados. CLJ Santa Rita